EAD 

Evento homenageia Herculano Pires

 NILDENE | 18.11.09

A pertinência de se realizar ou não evocações nas reuniões mediúnicas, o medo da desobsessão, o receio de se realizar trabalhos mediúnicos no lar e as implicações pedagógicas de tudo isso foram algumas das questões abordadas na mesa-redonda sobre Práticas Mediúnicas, a Metodologia de Kardec e suas Perspectivas Pedagógicas.

O evento aconteceu na manhã do último dia 12 de setembro, na Uniespírito, em São Paulo, com a participação do tradutor das obras básicas do Espiritismo para o polonês, o doutor em Educação, professor Przemysław Grzybowski; a escritora e doutora em Educação, Dora Incontri; o mestre em Educação, Alessandro Bigheto; além da professora de Letras Cláudia Mota e da assistente social Regina Bonança, ambas pós-graduadas em Pedagogia Espírita.


Assistida por cerca de 70 pessoas, a mesa-redonda promovida pela ABPE foi aberta com a fala da professora Dora Incontri sobre a importância da racionalidade na prática mediúnica e o legado metodológico de Allan Kardec. Na oportunidade, ela explanou sobre a importância da desierarquização nos trabalhos dessa ordem e o papel do médium no controle das comunicações. Segundo Dora, Kardec teve e recomendou algumas atitudes fundamentais em relação à prática mediúnica: primeiro, não considerar os Espíritos como “reveladores predestinados” ou seja, não acatar cegamente como revelação tudo o que vem do mundo espiritual, porque os Espíritos nada mais são do que homens desencarnados e mesmo os bons, têm opiniões pessoais e condicionamentos; segundo, todo médium é falível e nenhum deve ser considerado guru ou idolatrado. Além disso, Kardec democratizou a mediunidade, na medida em que analisou-a como um fenômeno natural e cotidiano, que todos podem experimentar.

O professor Alessandro Bigheto contou suas experiências quando saía da adolescência e tinha a mediunidade desabrochando, sem encontrar guarida nos centros espíritas. Falou sobre a realização de reuniões mediúnicas em família, tendo em vista a necessidade dos jovens em trabalhar a mediunidade florescente. Já Cláudia Mota e Regina Bonança relataram a experiência no grupo mediúnico do qual participam, formado por membros da ABPE, tendo como um dos principais focos a interação pedagógica que se dá no contato mediúnico. O grupo trabalha com atas, com verificação de informações cruzadas (recebidas e percebidas por diferentes médiuns) e com discussões das mensagens e comunicações obtidas.

Explicitando melhor o assunto, Cláudia Mota assinala a mediunidade não como um processo de ajuda aos espíritos, mas de ajuda mútua entre encarnados e desencarnados. “Trata-se de uma dinâmica simbiótica, onde se aprende ao mesmo tempo em que se ensina”, destaca ela, evidenciando um dos princípios da Pedagogia Espírita aplicado à pratica mediúnica: o papel do educador como educando.

O professor Przemek contribuiu para a discussão com uma análise comparativa, informando as diferenças percebidas por ele entre as práticas mediúnicas adotadas nos grupos brasileiros e europeus. A partir da experiência por ter assistido a reuniões mediúnicas no Brasil e em grupos italianos, ingleses e franceses, além do próprio grupo que chegou a dirigir durante 5 anos na Polônia, Przemek reporta que os europeus primam por uma rigidez metodológica maior que a percebida nas práticas conduzidas por brasileiros, fruto também das diferentes percepções culturais sobre o Espiritismo.

A respeito de uma contribuição educativa do intercâmbio entre encarnados e desencarnados, ele citou a experiência do grupo polonês, que adotava o hábito de fazer perguntas de fundo moral aos espíritos comunicantes. “Os temas dessas perguntas eram propostos algumas vezes por nós mesmos e outras pelos espíritos, de modo que o objetivo era sempre a educação dos membros encarnados do grupo ou dos espíritos que assistiam à reunião”, explica.

Participou também da mesa Clóvis Portes, tradutor-intérprete de Przemek. Clóvis trabalha há mais de 20 anos com a divulgação do espiritismo fora do Brasil, sobretudo no antigo bloco leste (República Checa, Hungria) e em Cuba. Fez vários relatos interessantes, coadjuvado por Przemek, a respeito do que os espíritas dos países da Europa oriental sofreram de perseguições, sendo muitos presos e torturados, primeiro pelos nazistas e depois pelos comunistas. Em compensação, Clóvis se reportou ao espiritismo em Cuba, que está em pleno florescimento. Há muitos centros espíritas – alguns de caráter sincrético, com ritos africanos, mas outros já estudando e aplicando as obras de Kardec.

Dada a importância do tema para grupos mediúnicos em todo o Brasil, a ABPE se prepara para disponibilizar em breve a mesa-redonda em vídeo com link. Aguarde!

Mediunidade Pedagógica é tema de mesa-redonda

 NILDENE | 18.11.09

 

Evento no Centro de Convenções Rebouças comemora 30 anos da morte de J. Herculano Pires

A Associação Brasileira de Pedagogia Espírita, com o apoio da Editora Comenius, da Editora Paidéia e da Fundação Maria Virgínia e Herculano Pires, promove dia 7 de março, sábado, o evento Herculano, Tempo e Espírito. Trata-se da comemoração dos 30 anos de desencarne do filósofo, jornalista, escritor espírita José Herculano Pires.


O evento contará com a presença de vários especialistas que abordarão diversos aspetos da vida e da obra do mestre de Avaré, que, segundo definiu Emmanuel, foi o “metro que melhor mediu Kardec”.


Heloísa Pires, filha de Herculano, falará da vida e da personalidade do pai, logo na abertura; Dora Incontri, que seguiu as pegadas do filósofo e educador e que está organizando o evento, vai tratar da abrangência de sua obra literária, filosófica e pedagógica. Depois será a vez de Alysson Leandro Mascaro, professor de Filosofia do Direito da Faculdade São Francisco (USP), que fará uma análise das obras filosóficas de Herculano. Alessandro Cesar Bigheto, pedagogo e mestre em Educação, exporá as idéias socialistas de Herculano.

No período da tarde, o médico e coordenador do curso de Tanatologia, da Faculdade de Medicina da USP, Franklin Santana Santos, falará sobre Educação para a Morte, obra de Herculano, que inspirou este curso da USP. Mauro Spínola, professor da Escola Politécnica da USP, lembrará as idéias de Herculano a respeito do Centro Espírita e depois haverá um painel com exposições de trabalhos feitos na Universidade sobre o tema Herculano.


Francisco Cajazeiras, médico do Ceará e autor de vários livros, fará o encerramento, enfocando a relação Herculano-Kardec. Destaque da data é o lançamento de um livro inédito da autoria de Herculano Pires, Relação Corpo-Espírito, pela Editora Paidéia.
No local, haverá livraria, uma pequena exposição comemorativa e sessão de autógrafos, além da parte artística.
Um evento imperdível pelo conteúdo e pela homenagem saudosa dos que conviveram com Herculano ou simplesmente admiram sua obra.

Programa

9:00-Abertura
9:15-Herculano, o homem, a vida - Heloísa Pires
10:00-Abrangências e diálogos: o literato, o filósofo, o jornalista e o educador - Dora Incontri
10:45-Filosofia em Herculano - Alysson Leandro Mascaro
11:30-Herculano, o socialista - Alessandro Cesar Bigheto
Momento Poético
Almoço e autógrafos
14:00-Educação para a morte - Franklin Santana Santos
14:40-O Centro Espírita - Mauro Spínola
15: 10-Intervalo
15:30-Painel – Herculano militante
Herculano e o MUE - Marcius Igor Bigheto
A busca do Reino - Marco Antonio Barroso
A Pedagogia Espírita - Willians Ferraz de Araújo
16:45-Herculano e Kardec - Francisco Cajazeiras
17:30-Encerramento

SERVIÇO:

Seminário Herculano Tempo e Espírito
Dia 7 de março de 2009
Das 8:30 às 17:30
Centro de Convenções Rebouças (metrô Hospital das Clínicas)
Av. Rebouças, 600
Preço: 20,00 reais/Associados ABPE: 15,00
Informações e inscrições
Associação Brasileira de Pedagogia Espírita
11-4032 8515 – abpe@uol.com.br

Congresso discute inclusão total

 ABPE | 24.11.08

 

A presença de 400 congressistas do Pará ao Rio Grande do Sul para participar do 3º Congresso Brasileiro de Pedagogia Espírita nos dias 7, 8 e 9 de novembro, demonstra que o movimento da Pedagogia Espírita continua em ascensão. Entre as pessoas que estiveram presentes, foi unânime a avaliação positiva, em relação ao conteúdo, aos palestrantes, à organização…

Algumas destaques merecem ser comentados:

•O local escolhido para o evento foi a Uni-Ítalo, pela beleza de seus jardins, pelo taetro ao ar livre, pelo teatro Paulo Autran, pela facilidade de circulação. Sem dúvida, isso facilitou a organização, o aconchego dos participantes e, sobretudo, o trabalho com as crianças e com os adolescentes.
 

• Os trabalhos apresentados nas comunicações orais (e publicados nos ANAIS, por enquanto apenas em CD, mas em breve impresso) revelam maior maturidade nas práticas e nas pesquisas em torno da Pedagogia Espírita, tendo o congresso cumprido neste ponto o seu papel de congregar experiências e promover trocas de idéias.

• O tema proposto “Pedagogia Espírita, um projeto de inclusão integral: ensinar tudo a todos” foi muito bem linkado com problemas contemporâneos, tocando em temas como ecologia, inclusão escolar, justiça social, diálogo inter-cultural e inter-religioso, espiritualidade na universidade, arte…

• A interdisciplinaridade se manifestou nos temas escolhidos propositadamente neste sentido, mas também nos palestrantes de diversas áreas: dois médicos, um psicólogo, um advogado, dois arquitetos, um filósofo e… vários educadores.

• As turmas de pós-graduação já estão dando seus frutos, seja na apresentação de trabalhos, seja no voluntariado do congresso…

As avaliações negativas também houve, mas poucas.

• A localização da Uni-Ítalo, que realmente fica num lugar distante (mas o que é distante do que em São Paulo?) e num entorno sem infra-estrutura.

• Os horários espremidos das palestras (não havia outra forma diante da escassez de tempo e tentou-se compensar com as salas simultâneas de perguntas aos palestrantes.)

• O preço da inscrição, segundo algumas críticas, pouco inclusivos. As taxas variaram de 90 a 160 reais (segundo categoria, data etc.). Esse é um item que sempre achará críticos e insatisfeitos. Para fazer um congresso destes, é preciso dinheiro para cobrir os custos, os custos são altos e há poucos patrocínios. Não há outra solução, senão repassar aos congressistas. Entretanto, sempre que a ABPE é procurada por pessoas que apresentam reais necessidades e não podem pagar, imediatamente recebem descontos ou, dependendo do caso, até isenção de taxas. Ninguém ficou excluído por não ter dinheiro para pagar a inscrição!