EAD 

Pedagogia Espírita

 

Três aspectos de uma só definição:
 

  1. A pedagogia espírita é o resgate do espiritismo, como foi proposto por Allan Kardec ( educador francês, discípulo de Pestalozzi – Hippolyte Léon Denizard Rivail – 1804-1869), com seu caráter científico, filosófico e moral/espiritual, entendendo-se que a educação é a meta existencial do ser humano, enquanto ser social, político, biológico e espiritual.
     

  2. A pedagogia espírita é uma nova visão teórica e uma nova proposta prática de educação – que se irmana com propostas pedagógicas de vanguarda, na linha da herança de Comenius, Rousseau e Pestalozzi. A pedagogia espírita dialoga com as pedagogias propostas por por Montessori, Janusz Korzcak, Alexander Neill, Paulo Freire, José Pacheco e outros – que também receberam influência dos mesmos antecessores. Mas a pedagogia espírita tem a especificidade de trabalhar o aspecto espiritual do ser humano, encarando-o como um ser reencarnado, sujeito autônomo, que constrói a sua própria evolução aqui, projetando-se na transcendência.
     

  3. A pedagogia espírita pode se fazer presente com seus princípios, com a filosofia de Kardec e suas heranças pedagógicas, nas mais diversas áreas do conhecimento humano, dialogando com a medicina, o direito, as ciências sociais, as artes, a psicologia etc. Nesse sentido, ela é uma interface entre a educação, a espiritualidade e as diversas áreas de pesquisa acadêmica, pois à sua luz, toda e qualquer abordagem do ser humano ganha a dimensão da espiritualidade e a meta máxima da educação.


Princípios da Pedagogia Espírita:

  • Amor

  • Liberdade

  • Igualdade com singularidade

  • Naturalidade

  • Educação ativa

  • Educação integral

  • Uma prática em construção


Há consequências práticas que se deduzem dos fundamentos e princípios da pedagogia espírita. Entretanto, não existe, nem poderia existir, um modelo fechado de escola espírita. Trata-se de uma prática em construção a que todos os que se identificam com os ideais pedagógicos espíritas estão chamados a participar.

Podemos entretanto traçar algumas diretrizes dessa prática, a partir das inspirações dos antecessores e dos pioneiros da pedagogia espírita.
 

  • A abordagem de conteúdo numa prática pedagógica espírita deve ser inter-religiosa e plural, onde a visão espírita seja uma das visões de mundo discutidas, junto a outras visões espiritualistas ou não.

  • A escola espírita também deve romper completamente com a escola tradicional, adotando parâmetros de liberdade, educação ativa, em que os educandos escolham seus projetos de pesquisa, produção, tornem-se sujeitos de sua própria educação.

  • A escola espírita deve valorizar o estímulo estético, a vivência solidária, o cultivo da espiritualidade e a ação social transformadora.


Além dessas diretrizes, os princípios da pedagogia espírita podem ser pensados e aplicados em outras relações humanas, para que ganhem um caráter mais pedagógico e menos estruturado no poder: relações entre membros da família, relações entre médicos, terapeutas e pacientes; relações entre cidadãos numa comunidade sociopolítica; relações de trabalho…

 

O que não é

 

  1. A pedagogia espírita não é uma proposta de catequese do espiritismo.
    Por quê?
    Porque catequizar é impor princípios, é modelar mentes, é doutrinar numa determinada linha de pensamento, sem debate, abertura e liberdade de opção. Isso se opõe aos princípios do espiritismo e, consequentemente, da pedagogia espírita, que são princípios de liberdade de consciência, de autonomia de julgamento e de construção pessoal de visão de mundo.
     

  2. A pedagogia espírita não é a Evangelização em geral praticada nos centros espíritas.
    Por quê?
    Por dois motivos:
    1) o próprio termo evangelização (e não só o termo, mas a prática geralmente assumida) significa catequese e doutrinação. Ensinar a pensar – que é o objetivo de uma verdadeira educação – nada tem a ver com uma evangelização, no sentido tradicional do termo, que aliás, se deriva de práticas das religiões tradicionais. Isso não quer dizer que a pedagogia espírita não tenha por meta elevar moralmente o educando ou que se afaste da proposta pedagógica de Jesus. Muito ao contrário. A pedagogia do Cristo não era impositiva e catequética, mas amorosa e respeitadora da liberdade de consciência, contagiante em sua elevação moral
    2) a metodologia adotada pela maioria dos centros espíritas para a prática da evangelização não é a proposta pela pedagogia espírita, porque são métodos tradicionais, com pouca autonomia e participação e quase nenhuma escolha livre dos educandos.
     

  3. A pedagogia espírita não se aplica apenas a adeptos do espiritismo.
    Por quê?
    Se a pedagogia espírita respeita a liberdade de consciência do educando (e de suas famílias), ela não pode ter um caráter sectário de se dirigir apenas a espíritas ou, o que seria pior, pretender fazer de todos os educandos adeptos do espiritismo. Tal intento seria contraditório com a própria definição de pedagogia. Pressupõe-se que qualquer pedagogia seja universalmente aplicável a todos os seres humanos, independente de suas etnias, religiões, sexo ou qualquer outra diferenciação.

 

Por que Pedagogia Espírita?

 

Se a Pedagogia Espírita se pretende uma prática que trabalha a pluralidade e o ensino inter-religioso, por que então a chamamos de espírita?

 

  • O termo foi criado por J. Herculano Pires, dentro da herança que nos identifica, Eurípedes, Anália, Tomás Novelino, Vinicius, Herculano, Ney Lobo. Filiamo-nos a essa tradição, pois é necessário evidenciar uma história, para enraizar um conceito.
     

  • Nossa proposta é justamente resgatar a palavra espírita, no sentido em que a criou Kardec, porque não há outra que possa expressar aquilo que desejamos expressar, que se constitui nos seguintes aspectos, presentes na pedagogia espírita e que a definem:
     

  1. uma espiritualidade universal, que aceita que todas as religiões são manifestações reais e podem conter verdades, sem exclusivismos e sectarismos;

  2. uma espiritualidade crítica, que invoca os critérios da racionalidade e da ciência na sua formulação e vivência;

  3. uma concepção de ser humano (e portanto de criança) transcendente e reencarnante, que invoca evidências empíricas da imortalidade e da reencarnação.