EAD 

Nota de Esclarecimeto - sobre cursos que usam o conceito de Pedagogia Espírita

ABPE | 15.12.2019

NOTA DE ESCLARECIMENTO PÚBLICO de Dora Incontri

Há um ano, tivemos notícia de que um professor do Pará, que foi nosso aluno na Pós de Pedagogia Espírita, por apenas algumas aulas, não tendo completado o curso, estava oferecendo uma pós-graduação em Pedagogia Espírita e uma graduação em Teologia Espírita, por uma entidade intitulada Uni-Espíritus. Fazia a divulgação de que os dois cursos eram reconhecidos pelo MEC. O currículo da suposta pós reconhecida pelo MEC era todo calcado em nosso curso de Pós de Pedagogia Espírita, que temos desde 2005.
Adotando o princípio ético do diálogo, dirigi-me a esse senhor, com a seguinte advertência:
 
“Tomei conhecimento dos cursos que você está oferecendo e venho lhe pedir que não mencione a pedagogia espírita, senão serei obrigada a soltar uma nota pública, esclarecendo a questão.  Primeiro, você fez uma mistura entre o curso de graduação de Teologia, oferecido em Curitiba, sob a direção de Maury Rodrigues da Cruz, que recentemente foi indiciado por abuso sexual. Ao mesmo tempo, adotou o nome de Uni-Espíritus, quase igual ao de Uni-Espírito, projeto do médico Sérgio Felipe de Oliveira de São Paulo. E está supostamente oferecendo uma pós-graduação em Pedagogia Espírita. Ideias emprestadas de outras pessoas, sem a mínima consistência para isso. Segundo, você está alegando que tem reconhecimento do MEC e isso é impossível. Nós mesmos, com um curso de pós, com 370 horas, com mais de 30 docentes doutores, renunciamos ao reconhecimento do MEC (que tivemos durante 10 anos), justamente pela complexidade burocrática e pelo preço alto que pagávamos…
Terceiro, você está alegando que fez o curso conosco. Você não completou o curso - pode parecer que você tem nossa autorização para oferecer um curso assim, o que não é verdade.
O curso de pós-graduação de Pedagogia espírita é uma construção desde 2005 e que trabalha como você sabe, com uma rede de professores do Brasil todo. Constitui um programa muito bem articulado, com 370 horas de conteúdo, com vasta bibliografia, sob a minha coordenação, que fiz meu doutorado na USP, sobre esse tema. Nós, da Universidade Livre Pampédia e da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita, não queremos ver o nome da Pedagogia Espírita usado num projeto sem nenhuma transparência, em que várias coisas estão se misturando, sem coerência e que se apresenta como uma proposta individual, sem o apoio da rede que possuímos.
Peço a você retirar, assim o nome da Pedagogia Espírita das suas proposições.
Agradeço”
 
Obtive a resposta de que o nome da Pedagogia Espírita tinha sido retirado.
Entretanto, hoje tomo conhecimento de que esse mesmo professor está divulgando em grupos de Whatsapp, um curso de Educação infanto-juvenil espírita e de Andragogia Espírita por uma tal de Universidade Livre Allan Kardec. O currículo mais uma vez em grande parte copiado do nosso curso de pós-graduação de Pedagogia Espírita, com alguns acréscimos de caráter acadêmico bastante duvidoso, como “Astronomia Espírita 3: Exilados de Capella” (sic). Advertido que foi por mim de sua má fé anterior de anunciar dois cursos reconhecidos pelo MEC, não tendo esse reconhecimento, agora, ele se preveniu, alertando que esses não são cursos reconhecidos.
Isso, entretanto, não afasta o plágio caricatural que ele está fazendo de um projeto sólido e de longa data como o nosso.
Indagado por uma pessoa próxima a mim por que não terminou de cursar a nossa pós, respondeu que era muito cara. Ora, ele está oferecendo essa colcha de retalhos copiada de algumas fontes (mas sobretudo a nossa) a 30 reais por mês, sem nenhuma estrutura presencial, sem todo o trabalho que estamos fazendo há anos, de edição de livros, de cursos, congressos, seminários, com nossa rede imensa de professores brasileiros e internacionais.
Não temos o monopólio de nenhuma ideia. Todos os que quiserem e puderem trabalhar pela pesquisa, ensino e consolidação da Pedagogia Espírita são livres e bem-vindos. Mas com originalidade, consistência e respeito pelo nosso trabalho. Copiar, distorcer, e sub-repticiamente insinuar que estamos cobrando caro por um projeto, que estamos levando adiante com suor e sangue, sempre com grande prejuízo financeiro, mas com solidez e profundidade, é desonesto e revela má-fé.
Portanto, alertamos aos amigos que poderiam supor que esse curso e essa Universidade Livre Allan Kardec (numa clara referência à nossa Universidade Livre Pampédia) tivessem qualquer parentesco conosco: não temos nada a ver com isso e lamentamos que haja pessoas que não desenvolvem suas próprias ideias, de forma livre e original.
 
Dora Incontri
Bragança Paulista, 15 de dezembro de 2019

 

 
Espíritas progressistas respondem à entrevista coletiva de Divaldo Franco e Haroldo Dutra no congresso de Goiás:

ESPÌRITAS PROGRESSISTAS | 17.02.2018

 

Espíritas que somos, os abaixo-assinados, tornamos pública a nossa desaprovação a diversas opiniões que foram expostas no vídeo que circulou essa semana nas redes sociais, e que depois foi retirado do Youtube. Declaramos que elas não nos representam e não representam o espiritismo, pois são apenas opiniões pessoais de seus autores, e que, em nosso entender, carecem de fundamento teórico e científico.

Aliás, médiuns e oradores não têm autoridade para falar em nome do espiritismo. Ninguém tem essa autoridade, nem mesmo instituições federativas. O espiritismo é uma ideia livre, cuja maior referência é Kardec, mas cujos livros também não podem ser citados como bíblia. Para manifestarmos ideias e posições do ponto de vista espírita, segundo a própria metodologia proposta por Kardec, temos de dialogar com a ciência de nosso tempo, usar argumentos racionais e adotar de preferência posturas que estejam de acordo com os princípios básicos da ética espírita, que são os da liberdade de consciência, amor ao próximo, fraternidade, entre outros.

O movimento espírita brasileiro está longe da unanimidade em todos os temas, sobretudo os que se referem a questões contemporâneas e, por isso, é importante delimitar as posições, para deixarmos claro que declarações como as que foram feitas neste vídeo não representam o espiritismo.

Dessa forma, rebatemos alguns pontos da referida entrevista:

1) Divaldo referiu-se à República de Curitiba e a seu suposto “presidente”, Sérgio Moro. Não existe uma República de Curitiba, pois segundo nossa Constituição só há uma República a ser reconhecida em nosso território, e é a República Federativa do Brasil. E a referência a um juiz federal de primeiro grau como o Presidente desta acintosa República é um grave desrespeito ao Estado, à nação brasileira, atribuindo a tal república poderes inexistentes em nossa Constituição. Além dessa nociva postura marcadamente messiânica e de culto à personalidade, pode dar a entender que o restante do povo brasileiro não presta e que não há pessoas boas espalhadas pelo Brasil dando o melhor de si.

2) Divaldo chama esse mesmo juiz de “venerando” – o que é altamente questionável, dadas as críticas de grandes juristas nacionais e internacionais à parcialidade desse juiz e a seus atos de ilegalidade, que feriram a Constituição, e às notícias que correm na mídia de seu conluio com determinados segmentos e partidos.

3) Divaldo assume uma postura claramente partidária, contrária ao PT – o que é de seu pleno direito, mas nunca em nome do espiritismo – fazendo, porém, uma crítica rasa, com uma miscelânea conceitual, chamando o governo desse partido de marxista e assumindo um discurso próprio da polarização extremista, manipulada e sem consistência que invade nossas redes sociais e nossa vida política, contribuindo para os momentos de incertezas e de medos em que vivemos.

4) Há uma fala extremamente problemática que se refere à chamada “ideologia de gênero”. Não existe “ideologia de gênero” – este é um termo criado por setores fundamentalistas da Igreja Católica e depois adotado pelas Igrejas Evangélicas. Existe sim uma área de pesquisa no mundo que se chama “Estudos de Gênero” – que teve influência de Michel Foucault, Simone de Beauvoir e Judith Buttler. Os “Estudos de Gênero” se dedicam a procurar entender como se constitui a feminilidade e a masculinidade do ponto de vista social, se debruçam sobre questões de orientação sexual, hetero, homo, transsexualidade – ou seja, todos fenômenos humanos, que estão diariamente diante de nossos olhos. Podemos concordar com algumas dessas conclusões, discordar de outras, deixar em suspenso outras tantas. Esse olhar é muito recente na história e ainda estamos apalpando questões profundas e complexas – e em nosso ponto de vista espírita, não é possível ter plena compreensão delas sem a chave da reencarnação. Uma abordagem puramente materialista jamais vai dar conta do pleno entendimento do psiquismo humano. Mas estamos muito longe de ter gente reencarnacionista competente, fazendo pesquisa séria, para dialogar com pesquisadores com abordagens meramente sociológicas ou psicológicas. Então, nós espíritas, não temos ainda melhores respostas que os outros e não podemos, por cautela, seguir a cartilha dos setores conservadores mais radicais de generalizar esses estudos sob o termo, usado aqui pejorativamente, de ideologia, para desqualificá-los como “imoralidade ímpar”. Parece-nos que uma dose de humildade científica, prudência filosófica e bom-senso faria bem a todos nesse ponto, especialmente quando o domínio sobre os corpos e a sexualidade sempre foi um ponto central para as religiões ocidentais.

5) Divaldo revela também completo desconhecimento dessa área de estudos de gênero, alinhando-a ao marxismo e ao comunismo. As grandes lideranças desses estudos estão nos Estados Unidos e na Europa. Aliás, os estudiosos desse tema encontram-se em diversas correntes de pensamento, desde marxistas até pós-modernos de diferentes matizes e até liberais. Ao fazer isso, mais uma vez, mostra a adesão a um discurso pronto, midiático, que ressoa nos setores evangélicos e católicos mais radicais, que primam por taxar qualquer ideia ou debate que lhes desagrade com o termo “comunista” – um grande espantalho generalizante, simplista e esvaziado de sentido, mas que tem sido eficaz, ao longo dos tempos, para dar forma a medos sociais e, assim, orientar o ódio e o ressentimento das pessoas contra certos alvos.

Por fim, deixamos aqui as seguintes afirmações:

• Nenhum médium ou orador pode falar em nome de todos os espíritas ou em nome do espiritismo. Isso é, por si só, desonestidade intelectual;

• Quando um espírita, sobretudo se tem influência sobre a comunidade, manifesta uma ideia ou uma opinião, tem por dever se informar sobre os temas de que está falando, usar referências confiáveis e estar em consonância com a lógica, com a ciência e com o bom senso.

• Deve também, preferencialmente, defender os direitos dos mais fragilizados socialmente, no caso, as mulheres, as crianças, os membros da comunidade LGBT+, que são objeto dessas discussões dos estudos de gênero, justamente por estarem vulneráveis a todo tipo de violência e desrespeito em nossa sociedade, além dos negros e negras, as juventudes periféricas e as pessoas com deficiência.

• Não deve alimentar discursos de ódio partidário e nem medidas punitivas contra quem quer que seja: nossa bandeira é a da educação, da fraternidade entre todos e da paz, comprometidos com a democracia, a justiça social e a regeneração da sociedade.

Adolfo de Mendonça Junior, SP

Adriana Jaeger Santos, RS

Agnes Vitória Cabral Rezende, MT

Alana de Andrade Santana, BA

Alessandro Augusto Arruda Basso, SP

Alessandro Cesar Bigheto, SP

Alexandre Mota, SP

Alexandro Chazan, SP

Aline Ribeiro Kurpan RJ
Alysson Leandro Mascaro, SP

Álvaro Aleixo Martins Capute, MG

Amauri Ramos, SP

Ana Araujo MG

Ana Carolina Pessanha RJ

Ana Maria Liberato - SP

André Cambuí , SP

André Frank, RJ

Andréia Maria Favilla Lobo, AC

Antonio Celso Poltronieri SP

Antonio Francisco Lopes Dias, PI

Antonio Rialtoam de Araújo, PB

Arlene Pires RS

Arlindo Costa Filho, SP

Arturo Gomes RJ

Bernardo Gonçalves, SP

Bianca Carone, ES

Bruno da Motta Pinto, RJ

Camila Govedice

Carlos Alberto Corrêa Orpham, SP

Carlos Alberto Victorasso Gouveia, SP

Carlos Augusto Pegurski, PR

Carlos França, SP

Carlos Sérgio da Silva, SP

Carmen Lúcia dos Reis Corrêa, MG

Celso Lucio Teodoro, MG

Claiston Cosme - Contagem, MG

Claudia Gelernter, SP

Claudia Mota, SP

Clovis Portes MG

Conceicao Maciel, AM

Cristiano Fadel, BA

Cristina Quites Torres MG

Cynthia Maria Fiorini Santos, SP

Daiana Amorim, MG

Daise Diniz, MG

Dalva de Souza Franco, SP

Dalva Radeschi, SP

Darlene Gomes, ES

Dária Maria Martins Assis, MG

Dennylson de Lima Sepulvida, SP

Dilva Ferreira, DF

Dora Incontri, SP

Douglas Neman, SP

Dulce Mara dos Reis Corrêa, DF

Eduardo Alves de Oliveira, SP

Eduardo Lima, CE

Eduardo S. C. Faria, MG

Elineuza Freire

Erica de Oliveira, SP

Erika Lopes Emrich Portilho, RJ

Éverton de Lima Oliveira, MG

Fabrice Lays, MG

Fausto Henrique Gomes Nogueira, SP

Felipe Braz da Silva, RS

Felipe Gonçalves, SP

Felipe Sellin, ES

Fernando Fernandes, SP

Flávio Mussa Tavares, RJ

Franklin Felix, SP

Gabriel Lopes Garcia, MG

Geraldo Magela de Araujo

Gilmar da Cunha Trivelatto, SP

Glauco Ribeiro de Souza, SP

Hélio Ribeiro, MG

Heloisa Ivone Silva, ES

Hilda Mussa Tavares RJ

Hudson Galvão Silva, SP

Itatiara Borges Kalil, RS

Izaias Lobo Lanes, MG

Jaime Shrek, RJ

Jaldete Abranches, ES

Janaína Luiza Rypl Reis, RS

Jandyra Abranches, ES

Jefferson Freda, PR

Joana Abranches, ES

João Carlos de Freitas, PR

Josi Paula e Alan de Borba, RS

Joyce Santos, MG

Juçara Silva Volpato, ES

Juju Tavares, RJ

Juliana de Lucca, SP

Juliana Mandato Ferragut, CE

Juvan de Souza Neto, SC

Klycia Fontenele Oliveira, CE

Larissa Blanco, SP

Leandro Piazzon Correa, SP

Leonardo Antônio Rocha Coelho, DF

Leticia Tafra de Fontoura, RS

Lícia Rocha, BA

Litza Amorim, SP

Lorisani Marisa de Leão de Souza, RS

Lorissani Leão de Souza, RS

Luciana Borba, RS

Luciana Volpato, Montreal/ Canadá

Luciano Sérgio Ventin Bomfim, BA

Luis Gustavo Carvalho Ruivo Andrade, SP

Luis Márcio Arnaut, SP

Luiz Felipe de Siqueira Soares de Morais, PE

Luiz Signates, GO

Luiz Zara, SP

Luziete Maria da Silva del Poggetto, SP

Madalena Reis, SC

Marcel Pordeus, CE

Marcelo Berriel, RJ

Marcelo Henrique Pereira, SC

Marcelo Teixeira, RJ

Marcia Cordeiro Tupynamba, MG

Marcia Oliveira, RJ

Marco Aurélio dos Reis Corrêa, MG

Marcos Guilherme Vasconcelos

Marcos Wilian Silva, MT

Margarida Maria Tavares, RJ

Markus Ledermann, Suica

Maria Amélia Lodi, SP

Maria Amélia Penteado Augusto MG

Maria Aparecida Avelar Sampaio, ES

Maria Aparecida Guedes Monção, SP

Maria Cristina Moraes Tafarello, SP

Maria de Fatima Ostemberg

Maria Isabel Martines, SP

Mariana Abranches, ES

Marilane Alves, MG

Mario Joanoni, SP

Mário Nelson dos Reis Corrêa, RJ

Maristela Viana França de Andrade, GO

Maurício Zanolini, SP

Melissa Munhoz SP

Monica Lemos, MG

Mônica Waldhelm, RJ

Murilo Negreiros, SP

Nina Barreto, RJ

Oldemar Montenari, BA

Pe. Paulo Sergio Bezzera, SP (em apoio)

Patrícia Imperato Malite, SP

Patricia Lima Martins Pederiva, DF

Patrícia Louzada dos Anjos - MG

Paula Bastone, Coimbra - Portugal

Paulo Junges, MS

Pedro Camilo, BA

Raphael Alves de Carvalho - RJ

Raphael Faé, ES

Regina Maura Maschio Fioravante, SP

Renan Hubner, RJ

Renato Savalli Parnamirim, RN

Roberto Colombo, SP

Romulo de Souza Moraes, RJ

Rosangela de Paula D Lima, RS

Rosmary Figueira

Samantha Lodi, SP

Sebastião do Aragão, SC

Sérgio Aleixo, RJ

Sergio de Sersank, PR

Silvia Bueno, SP

Sinuê Neckel Miguel, RS

Sonia Peres Naranjo, SP

Sulian Tafarello, ES

Suzana de Souza Leão

Suzana Leão, RS

Tathiana Cassiano, SC

Tatiane Braz Comitre Basso, SP

Thiago Rosa, SP

Tiago Fernandes, PR

Valdir Tafarello, SP

Vinicius Lara, MG

Willan Silva, ES

Wilson Gomes, SP

Yuri David Esteves, SP

Zilda Santiago Maciel, PE